Gisele, sons do Brasil e festa aos refugiados marcam Cerimônia de Abertura; veja melhores momentos

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s Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro foram abertos oficialmente nesta sexta-feira (5). Em meio a diversas mensagens de preservação ao meio ambiente e músicas tipicamente brasileiras, a recepção aos refugiados chamou a atenção. O grupo foi quase tão aplaudido quanto o time Brasil ao desfilar pelo Maracanã. Na vez do país-sede, o público foi ao delírio, com a porta-bandeira Yane Marques chegando a arriscar um passo de samba.

Delegações: refugiados dividem protagonismo com Time Brasil

DAVID GRAY/REUTERS
imagem: DAVID GRAY/REUTERS

Na passagem das delegações pelo Maracanã ao som de músicas brasileiras, apenas um grupo levantou tanto o público quanto o Brasil: os refugiados. Desfilando sob a bandeira olímpica, o grupo foi o penúltimo ao entrar no estádio e distribuiu sorrisos. Eles foram recepcionados por uma enorme salva de palmas, com a tribuna de honra ficando em pé para saudá-los.

Na vez do Brasil, o público veio abaixo. Com um Maracanã eufórico, a porta-bandeira Yane Marques entrou na dança: a atleta do pentatlo moderno chegou a arriscar um passo de samba com o símbolo brasileiro na mão. A delegação desfilou ao som de “Aquarela do Brasil”.

David Rogers/Getty Images
imagem: David Rogers/Getty Images

Entre os demais países, a Itália foi bastante ovacionada, seguida por Alemanha, Israel e México. No caso da Argentina, tradicional rival brasileiro nos esportes, os aplausos se misturaram a leves vaias.

A tradicional organização militar dos desfiles não se seguiu no evento carioca. Uma certa confusão era notada no campo, com atletas se espalhando pelo local. Durante os desfiles das delegações, cada atleta recebeu uma semente e, ao entrar no Maracanã, plantou uma muda que será levada a um dos parques do Rio de Janeiro.

Mensagens universais, mas símbolos apenas brasileiros

Jamie Squire/Getty Images
imagem: Jamie Squire/Getty Images

Ao entrar no palco, Regina Casé fez um discurso sobre diversidade, antes de apresentar Jorge Ben Jor, que entrou cantando “País Tropical”. “A gente está aqui hoje para buscar a nossa semelhança. E, principalmente, para celebrar as nossas diferenças”, afirmou a atriz e apresentadora, levantando o público presente, que seguiu cantando a música à capela.

O discurso de Regina Casé foi acompanhado por diversas mensagens universais – aquecimento global, preservação da natureza, etc. Um verdadeiro recado verde. Na hora dos símbolos, especialmente através da música, no entanto, apenas valores brasileiros foram vistos.

Na parte final da mensagem “verde” do discurso, um menino entrou no palco e colheu uma planta em meio ao asfalto. Ali, teve início o poema “A Flor e a Náusea”, de Carlos Drummond de Andrade. As atrizes Fernanda Montenegro e Judi Dench se misturaram na leitura em português e inglês.

As chegadas

Lui Siu Wai/Xinhua
imagem: Lui Siu Wai/Xinhua

A miscigenação brasileira foi representada durante o evento. Primeiro, ocas indígenas tomaram conta do palco do Maracanã, junto com os “homens brancos”, em três navios. Na sequência, a escravidão foi retratada.

A influência oriental, em especial chineses e japoneses, deu sequência à miscigenação, que culminou na construção de grandes metrópoles. Com diversos prédios feitos de caixas erguidos no estádio, um grupo de “parkour” o escalou e desmontou a parede recém-criada.

14 Bis abre espaço para o último desfile de Gisele Bundchen – e sua cena cortada

REUTERS/Damir Sagolj
imagem: REUTERS/Damir Sagolj

No lugar da parede, o 14 Bis, avião criado por Santos Dummont, apareceu no meio do Maracanã. A projeção levantou voo no estádio e percorreu a cidade do Rio de Janeiro. Nesse momento, a música “Garota de Ipanema” começou a ser tocada no piano por Daniel Jobim, neto de Tom Jobim.

KAI PFAFFENBACH/AFP
imagem: KAI PFAFFENBACH/AFP

A música abriu espaço para o último desfile de Gisele Bundchen. A modelo, que já havia anunciado sua aposentadoria das passarelas, percorreu o palco deixando rastros por onde passava. As linhas deixadas pela gaúcha se transformavam em imagens das obras de Oscar Niemeyer.

A passagem de Gisele pelo evento ainda contaria com uma cena de “assalto”, mas ela foi cortada depois de o ensaio ter tido uma repercussão negativa do público.

Funk abre caminhos às músicas pops do Brasil: Zeca e Elza se misturam a D2 e Ludmila

Julian Finney/Getty Images
imagem: Julian Finney/Getty Images

Nas atrações musicais, quatro cantores característicos do Rio de Janeiro subiram ao palco. Sentada em uma cadeira, Elza Soares sucedeu a funkeira Ludmila, que havia cantado “Eu Só Quero É Ser Feliz”. A ex-mulher de Garrincha soltou a voz em “Canto de Ossanha”.

Na sequência, Zeca Pagodinho e Marcelo D2 se misturaram durante a música “Deixa A Vida Me Levar”. Ao deixar o palco, a dupla deu espaço para a funkeira Karol Conka, que representara o “empoderamento da mulher”.

Antes deles, Luiz Melodia abriu a cerimônia cantando “Aquele Abraço”, de Gilberto Gil. Junto com a música, imagens da cidade do Rio de Janeiro preenchiam os telões do Maracanã. Na sequência, Paulinho da Viola tocou o hino nacional brasileiro.

Temer evita anúncio, mas é vaiado

Issei Kato/Reuters
imagem: Issei Kato/Reuters

Logo no início da cerimônia, aconteceu uma quebra de protocolo envolvendo o presidente interino Michel Temer. Estava programado para que ele fosse anunciado ao lado de Thomas Bach, presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), mas apenas o nome do segundo teve seu nome chamado ao microfone.

Temer apareceu apenas para declararam oficialmente a abertura dos Jogos Olímpicos. Nesse momento, o presidente interino foi bastante vaiado pelo público presente no Maracana.

Antes da declaração de Temer, Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) foi ao microfone ao lado de Thomas Bach. “Sou o homem mais orgulhoso do mundo. Tenho muito orgulho da minha cidade e do meu país”, discursou, antes de decretar: “O Rio está pronto para fazer história”.

Em seu discurso em inglês, Nuzman agradeceu os governos Federal, Municipal e Estadual. Nesse momento, uma leve vaia foi ouvida vinda da arquibancada à esquerda da tribuna de honra do Maracanã.

Vanderlei Cordeiro de Lima acende a pira

FABRIZIO BENSCH/REUTERS
imagem: FABRIZIO BENSCH/REUTERS

Depois da recusa de Pelé por causa de problemas de saúde, Vanderlei Cordeiro de Lima foi o responsável por acender a primeira pira. A ação começou com uma série de atletas brasileiros carregando a bandeira olímpica: Marta (futebol), Emanuel (vôlei de praia), Sandra Pires (vôlei de praia), Joaquim Cruz (atletismo), Oscar Schmidt (basquete), Torben Grael (vela).

Após a execução do hino olímpico e de Robert Scheidt fazer o juramento olímpico, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Anitta se dividiram em duas músicas: “Isso Aqui é o Que é” e “Sandália de Prata. O musical foi acompanhado por algumas escolas de samba do Rio de Janeiro.

Elsa/Getty Images
imagem: Elsa/Getty Images

Depois da participação musical, um revezamento da tocha dentro do estádio teve início. Gustavo Kuerten deu início e passou para as mãos de Hortência. Na sequência, a ex-jogadora de basquete entregou a chama para Vanderlei Cordeiro de Lima, medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 2004. Ele, então, completou a festividade acendendo uma pequena pira olímpica, uma mensagem em apoio à redução de gases poluentes.

Apesar de ter sido acesa no evento de abertura, a pira do Maracanã não será a principal dos Jogos. Após a cerimônia, a chama será levada para a Candelária, no centro do Rio de Janeiro, onde se encontra a pira oficial – ela será acesa por Jorge Gomes, um menino de 14 anos, que pratica atletismo.

Rio rompe tradições

FABRIZIO BENSCH/REUTERS
imagem: FABRIZIO BENSCH/REUTERS

Na cerimônia carioca, duas apresentações não seguiram seus padrões tradicionais. De início, o desfile das delegações. Como o Maracanã não possui uma pista de atletismo, os membros de cada país caminharam pelo meio do gramado do estádio.

Na sequência, a apresentação dos arcos olímpicos mostrou um detalhe próprio do país: ao invés das cinco cores variadas, o verde foi utilizado, em referência ao reflorestamento. “O verde deve assumir todos os cinco continentes”.

UOL

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